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Indígenas querem influenciar o Rascunho 0 da Rio+20, diz advogada
Os Povos Indígenas e Sustentabilidade Econômica, Ambiental e Cultural: Rio + Quanto?, evento realizado esta manhã na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no centro, visibiliza a presença indígena na Rio +20 e o debate da economia, o desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza e o fortalecimento da estrutura institucional.
Antonio Carlos Ribeiro
Rio de Janeiro, quinta-feira, 14 de junho de 2012
Os indígenas somam 240 povos, falam 180 línguas, vivem em 15 regiões e em seis biomas diferentes, assinalou a advogada Fernanda Kaingang, o que torna a sua presença efetiva e qualificada no país. Eles asseguram, ainda, um padrão de desenvolvimento sustentável de cerca de um quarto do território nacional - 16% de reservas indígenas e 9% de territórios protegidos como área de reservas extrativistas de seringueiros e outros. Ao falar da erradicação da pobreza e confrontada com o fato de que apenas quatro metas da Rio’92 foram alcançadas, 88 estão por ser implementadas e oito são inexequíveis , a egressa do curso de Direito da Universidade de Brasília (UnB) defendeu a necessidade de negociar com o setor produtivo. Disse que o diálogo já foi iniciado, mas que é preciso debater também aspectos culturais, sociais, econômicos e ambientais. Objetiva ao falar dos 16% do território nacional que são reservas indígenas, Fernanda apontou para a maior conquista desse grupo humano: “Manter a floresta de pé, o que pode parecer pouco, mas é muito, já que o governo, os militares e a sociedade não conseguem assegurar isso nos outros 85% da área”, comparou. Frente à questão sobre o que a sociedade deve fazer para contar com o apoio da população indígena, ela disse ter obtido a resposta de indígenas do povo Marubu, que vivem na tríplice fronteira Brasil, Peru e Colômbia: “o governo deve reconhecer e retribuir os serviços prestados ao longo de séculos pelos indígenas”. Ela manifestou alegria pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu pela devolução das áreas da reserva dos índios Pataxó Hã Hã Hãe. Diante do pedido que resumisse as ênfases dos povos indígenas na Rio+20 – enquanto era feita uma pintura em seu corpo – a primeira indígena Mestra em Direito no Brasil disse que são três eixos: o ambiental, o econômico e o social, dentro do qual está o cultural. Ela ainda expressou, a pedido, o conselho prático que populações originárias podem dar ao “civilizado”: “Cuide do que você precisa para viver. Você pode viver sem celular, ar condicionado e energia, mas não pode viver sem água, ar e alimentos. Isso implica rever paradigmas, ou rever o consumo”. Veja mais notícias de Antonio Carlos Ribeiro
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